03 – As propostas

A semana passada (a primeira semana do fevereiro 2024) vai entrar na história como a semana quando a última frase do nosso ultimo artigo sobre o mercado imobiliário se provou ser profética. Afinal, comprámos uma farpa. Aliás! É a nossa observação que a construção em Portugal nos séculos antes do nosso era uma actividade na generalidade sustentável porque a nossa casa é feita apenas de madeira e as vezes de lama. (Ou se disse ‘barro’?) Para leitores curiosos anexamos uma imagem duma parede que já está nossa.  

Então, revelámos que comprámos a casa, mas porque todos os três que lêem este blog já, de qualquer forma, sabem, não é um erro grande. Mas como não podemos ultrapassar a história e porque Sola e Kokku gostam de ter alguma estrutura, temos que contar tudo em ordem. Por isso, voltámos ao mercado.

Cada um que está a procurar uma casa em Lisboa e tem orçamento limitado, tem de ter paciência e estar humilde. É necessário visitar muitos apartamentos, nas várias zonas da cidade, e andar em pé com a cabeça inclinada para evitar as grandes quantidades das merdas de cão que pavimentam as ruas bonitas de Lisboa. Também é necessário contactar muitas agencias, responder aos anúncios e falar com agentes imobiliários, e muitas vezes esperar para reposta que nunca chega, e ligar e escrever e ter paciência e não perder muito tempo porque os outros compradores são sempre em volta da esquina e têm mais dinheiro de que nós.

Como já tínhamos ditto uma vez, durante quase quatro anos tínhamos visitando dezenas de casas. Gostámos, em total, de três. Cada um tinha um espaço exterior bonito como os gatos desejaram e um agente imobiliário peculiar.

A primeira casa ficava em Junqueira. Tinha três quartos, duas dos praticamente microscópicos, uma grande cozinha, um patio interior giro e um terraço grande com uma nespereira e um mosaico tradicional. A ciclovia até o meu escritório ficou perto. O agente se chamou Emanuel (como uma famosa borboleta checa e também a parecia – uma imagem em baixo). Sola e Kokku tinham estado excitados. O preço era quase quase aceitável, mas não era. Fizemos uma proposta inferior… e nunca tivemos reposta. Apesar disso, cada ano, Emanuel nos deseja um bom Natal.  

Se a primeira nossa proposta só era uma flirtarão, a segunda ficava uma séria relação. Já se tínhamos visto juntos até o fim dos nossos dias (em Lisboa). O apartamento era em Arroios, perto do mercado, na área dos nossos sonhos, perto de linha verde, na rua tranquila onde, duma janela aberta, trocou o jazz sublime. Com três quartos, um dos interior, e com uma grande jardim de 55 metros quadrados, com um limoeiro e bastante do sol. A agente se chamou Alegria e, quando a nossa proposta foi aceita, disse que fica contente que os gatos vão viver lá. Na véspera do dia o banco aprovou o nosso empréstimo, Alegria tinha nos mandando uma mensagem curta que a casa já está vendida ao alguém outro pelo dinheiro pronto. Alegria tornou se tristeza e eu, chorando, tive que explicá-lo aos gatos. 

E a terceira casa… a terceira casa guardamos para a próxima vez.

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